O Profissional

Submitted by admin on Dom, 08/07/2016 - 18:28

O Engenheiro de Reabilitação é um dos vários profissionais envolvidos no processo de reabilitação. As pessoas com necessidades especiais são o alvo desse processo e um elemento da equipa de Reabilitação. Este profissional tem que comunicar com os restantes profissionais, ter contacto directo e entender as necessidades de pessoas com deficiência e idosos.

Segundo a RESNA (cit. [Azevedo 1993]) um Engenheiro de Reabilitação possui determinadas características que o diferenciam de outros profissionais envolvidos no fornecimento de tecnologias de apoio, nomeadamente:

1. Especialização em Engenharia: envolve treino e/ou experiência no uso de princípios de engenharia apropriados a uma tarefa particular.

2. Especialização Técnica: inclui conhecimento e compreensão das tecnologias de apoio disponíveis e dos seus princípios operacionais.

3. Especialização em Projecto: envolve a aplicação sistemática dos princípios de engenharia e conhecimentos técnicos para o desenvolvimento de soluções inovadoras para desafio técnicos de reabilitação.

    Para James Reswick, Presidente fundador da RESNA, o principal critério para definir um Engenheiro de Reabilitação é a sua actividade em engenharia de reabilitação, e não a sua formação ou grau académico. Assim, um engenheiro de qualquer especialidade que trabalha em engenharia de reabilitação, durante esse tempo, é um Engenheiro de Reabilitação [Reswick 2000].

    Segundo Reswick as actividades de Engenharia de Reabilitação incluem (mas não estão limitadas a):

    Invenção, Investigação e Desenvolvimento, Avaliação, Produção e Marketing, Selecção de Tecnologia, Prestação de Serviços, Instruções de Uso, Manutenção e Reparação.

    Rory Cooper considera haver 5 locais principais de trabalho para um Engenheiro de Reabilitação:

    1 - Investigação/treino numa universidade ou organismo governamental; 

    2 - Desenvolvimento de produtos por fabricantes; 

    3 - Prestação de serviços de engenharia de reabilitação num estabelecimento clínico; 

    4 - Serviço de engenharia de reabilitação num departamento de reabilitação; 

    5 - Serviços de consultoria privados. 

    Em 1991, Lawrence Trachtman apresenta um estudo com um título pertinente “Who is a Rehabilitation Engineer?” [Trachtman 1991]. É uma pergunta pertinente porque não pode ser respondida com a simplicidade que trataríamos a pergunta “Quem são os Engenheiros Mecânicos ou Engenheiros Electrotécnicos?”. Trachtman admite a hipótese que a dificuldade de identidade dos engenheiros de reabilitação se deve à falta de um currículo de formação tradicional com grau acreditado. Mesmo num grupo que pratica engenharia de reabilitação é difícil encontrar pessoas que se identifiquem como engenheiros de reabilitação.

    Num esforço para determinar que profissionais se identificavam como engenheiros de reabilitação, Trachtman organizou e enviou um questionário a 285 membros do grupo de profissionais de engenharia de reabilitação da RESNA (RE-PSG). Dos 184 membros que responderam apenas 120 (65%) se consideravam Engenheiros de Reabilitação. Destes 120, a maioria (88%) tinha um grau académico de engenharia, mas poucos estavam registados como profissionais de engenharia (24%). Este investigador admite que os motivos porque outros membros do grupo (RE-PSG) não se consideram Engenheiros de Reabilitação poderão ter a ver com o facto de terem simplesmente interesse sobre a área de engenharia de reabilitação, de se considerarem Engenheiros Biomédicos ou investigadores sem actividade de prestação de serviços directos aos clientes.

    O estudo Trachtman para caracterizar a prática dos Engenheiros de Reabilitação incluiu as seguintes questões de investigação:

    1. Qual é o background educacional dos Engenheiros de Reabilitação?

    2. Em que áreas trabalham os Engenheiros de Reabilitação?

    3. Qual é a distribuição geográfica dos Engenheiros de Reabilitação?

    4. Em que locais trabalham os Engenheiros de Reabilitação?

    5. Qual é a estrutura salarial dos Engenheiros de Reabilitação?

    6. Em que áreas tecnológicas actuam os Engenheiros de Reabilitação?

      Os graus académicos dos 120 profissionais que se consideravam engenheiros de reabilitação estavam distribuídos da seguinte forma: 5 Associados (preparatórios de engenharia); 22 Licenciados (Bachelors), 47 Mestres e 41 Doutorados.

      As áreas de trabalho consideradas foram:

      • Prestação de Serviços,
      • Investigação e Desenvolvimento, 
      • Gestão/Administração,
      • Planeamento Politico,
      • Educação/Formação,
      • Comércio/marketing.

      Cerca de 90% destes 120 profissionais trabalhava na prestação de serviços ou em actividades de investigação e desenvolvimento.

      Quanto aos locais de trabalho foram considerados hospitais, universidades, organismos ligados à educação e formação profissional, escolas, organismos ligados à Deficiência, industria, actividade privada e consultoria. Apurou-se que cerca de metade dos 120 profissionais trabalhava num hospital ou numa universidade.

      As áreas tecnológicas onde se previa que os engenheiros de reabilitação actuassem foram:

      • adaptação automóvel,

      • recreação adaptada,

      • comunicação aumentativa,

      • acesso ao computador,

      • controlo ambiental,

      • estimulação eléctrica,

      • modificações de habitações,

      • tecnologias para a mobilidade,

      • próteses e ortóteses,

      • robótica,

      • sistemas de posicionamento,

      • cuidados pessoais,

      • ajudas sensoriais

      • modificações de postos de trabalho.


      Destas áreas as menos mencionadas pelos inquiridos foram as que são servidas tipicamente por outros profissionais tais como Próteses e Ortóteses e Recreação Adaptada.